Agência de Notícias
O projeto “O RS Pós-Pandemia” teve no início da tarde desta segunda-feira (24) sua cerimônia de encerramento. O presidente Gabriel Souza entregou ao governador Eduardo Leite a publicação “A retomada baseada em evidências”, com os resultados dos estudos e pesquisas conduzidos pela iniciativa. O evento ocorreu no Salão Júlio de Castilhos do Palácio Farroupilha.

Responsável pelas quatro pesquisas de campo que identificaram as angústias reveladas por seis mil gaúchos e gaúchas em mais de 60 cidade, a cientista política e social Elis Radmann, diretora do Instituto Pesquisas de Opinião, IPO, parceiro do projeto, fez um resumo das conclusões obtidas.

As pesquisas
Elis Radmann relatou que foram ouvidos trabalhadores, pais de família, usuários do SUS, empresários e famílias em situação de vulnerabilidade. 

A preocupação com a fragilidade da educação foi apontada por sete de dez pais de famílias ouvidos pela pesquisa, o que exigirá mais atenção nessa área em 2022, apontou Radmann. Da mesma forma, a pesquisa sobre a saúde revelou o represamento, neste período da pandemia, de demandas da população em cirurgias, exames e tratamentos específicos, alcançando quase 1 milhão de pessoas nessa situação. Ela registrou, neste quesito, a satisfação da população com o serviço prestado pelo Sistema Único de Saúde, o SUS: em dez usuários consultados, sete manifestaram aprovação ao serviço prestado. Mas ponderou que as demandas represadas precisam ser atendidas. 

“O estudo mais emblemático”, conforme definiu a cientista social, mostrou que a desigualdade social ganhou impulso com a pandemia e fragilizou ainda mais a vida das famílias que vivem com até 40% do salário mínimo no RS. Por último, foi possível identificar as transformações do mercado de trabalho com o impacto da tecnologia digital. “Verificamos que o mundo digital tinha relação com os temas anteriores”, observou Elis Radmann. Nesse particular, surgiu a constatação de que os gaúchos não estão preparados para enfrentar a indústria 4.0. “A tecnologia de ponta exige que se prepare a população, os profissionais, empresários e empreendedores”, alertou a pesquisadora, tarefa que caberá aos gestores públicos.