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O relatório técnico da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (nº77/2022) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), remetido à Corte no dia 15 novembro, incluindo o deputado estadual Tenente Coronel Zucco (Republicanos) como suposto incentivador de manifestações que contestam o resultado da eleição de 2022, foi o assunto mais latente nos bastidores da Assembleia Legislativa e do Palácio Piratini na terça-feira (2). Após intenso diálogo entre os parlamentares, na reunião de líderes, a mesa diretora do parlamento gaúcho pediu oficialmente que o governo do Estado preste informações sobre a motivação e as circunstâncias que incluíram o parlamentar no relatório.

A mobilização foi antecipada ao governador Ranolfo Vieira Junior já no início da manhã, às 8h30, durante o café da manhã no Palácio Piratini com os líderes partidários que foram convocados para dialogar sobre os projetos do poder Executivo que tramitam na Assembleia Legislativa. Na ocasião, os deputados Paparico Bacchi (líder da bancada do PL), Frederico Antunes (líder da bancada do PP) e Tenente Coronel Zucco (líder da bancada do Republicanos) anteciparam o apoio à posição institucional do Legislativo gaúcho em relação ao episódio. De acordo com os parlamentares, o fato causou espanto por não considerar as prerrogativas do mandato parlamentar de Zucco.

“Como relatei pessoalmente ao deputado Zucco em reunião, soube do fato por meio da imprensa”, afirmou o governador. “Recebi diversas ligações de delegados da Polícia Civil e outras autoridades que sintetizaram o relatório como uma aberração, pois o que embasa a inclusão do meu nome como suposto líder de atos ‘antidemocráticos’ é o vídeo de uma manifestação que foi compartilhado na minha rede social. Não há discurso e eu não participei do ato”, salientou Zucco com o celular em mãos mostrando a íntegra do vídeo que mostra pessoas na frente do Comando Militar do Sul.

Paparico Bacchi, líder da bancada do Partido Liberal, foi à tribuna do Plenário 20 de Setembro para abordar o fato durante a sessão plenária deliberativa da terça-feira (2). “Vivemos tempos estranhos. Me solidarizo com o colega Tenente Coronel Zucco e o governo do Estado nos deve explicações. Não podemos admitir que um parlamentar desta casa seja exaurido em uma investigação sem o consentimento do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul”, destacou o deputado no seu discurso.

O Tenente Coronel Zucco também foi à tribuna para abordar o fato. “Eu ia me posicionar de uma forma mais propositiva, mas quero agradecer este parlamento que independente de ideologia, centro esquerda, direita, me aguardam a orientar o pedido de informação feito por esta Casa. Reafirmo meus posicionamentos que a livre manifestação pacífica deve ser representada por todos os gaúchos e brasileiros”, afirmou Zucco.